Tecnologia e inovação impulsionam o mercado do agronegócio brasileiro

Por Willian de Rosso e Layon Lopes*

Em meio as crises econômicas, o mercado do agronegócio segue em constante crescimento. O setor representa, atualmente, mais de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Entretanto, ainda há quem desconheça a importância do agronegócio para o país.

O mercado agro brasileiro, além de oferecer milhares de vagas de emprego, fornece matéria prima para outros setores do mercado, como têxtil, medicamentos e fabricação de móveis. Tamanha importância para nosso cenário chamou atenção de empreendedores e técnicos que, juntos, estão revolucionando o segmento.

Nesta maneira, a implementação de tecnologia para achar soluções para o cotidiano também chegou ao agronegócio. Estas empresas voltadas para o setor que se valem da tecnologia para atingir melhores resultados são denominadas “agrotechs”.

A busca pela transformação do mercado agro só vem a agregar. Desta forma, o cordão umbilical de grandes multinacionais poderá vir a ser cortado, tendo em vista que estas possuem maior parte da tecnologia existente e aplicada atualmente.

O crescimento da tecnologia para o agronegócio acontece a bastante tempo. Entre tanto, o marco de crescimento ocorreu em 2013 com a venda da Climate Corporation para a Monsanto por cerca de US$ 1 bilhão. A empresa tornou-se o primeiro unicórnio do agronegócio. Diante deste fato, empreendedores com expertise no agronegócio viram aí mais uma oportunidade para inovação.

As agrotechs atuam nas mais diversas áreas do agronegócio, como: irrigação, prevenção de pragas, qualidade de produtos e acompanhamento de saúde animal.

Entretanto, nem tudo são flores neste ramo do mercado. O mal que assola qualquer agrotech é a lenta aderência do mercado agro às novas tecnologias propostas.

Diversas soluções para problemas do cotidiano do microempreendedor rural já foram criadas, mas a falta de acesso à informação reduz a escalabilidade de uma ideia. É preciso que o empreendedor, além de ter o knowhow das dificuldades do microempreendedor rural e a tecnologia desenvolvida, literalmente bata na porta do microempreendedor rural.

Ocorre que, não bastasse as dificuldade acima listada, as agrotechs brasileiras não estão sozinhas. O mercado internacional está se desenvolvendo no mesmo sentido, já entrando no mercado brasileiro oferecendo grandes inovações.

Atualmente, o país conta com mais de 300 agrotechs. De acordo com o estudo realizado pela AgTechGarage, 46% das startupsencontram-se em São Paulo. A pesquisa aponta, também, que a área de maior atuação é a de suporte à decisão do empreendedor rural.

Cinquenta e um por cento das agrotechs possuem uma grande empresa como parceiro, proporcionando maior possibilidade de realização de projetos piloto, acesso a base de clientes, mentorias, matchmaking e conexões. O estudo revelou, ainda, que a maioria das agrotechs encontram-se em fase de validação do MVP e apenas 18% em fase de scale-up.

O futuro indica claramente que, assim como as demais áreas do ecossistema, a transformação do mercado do agronegócio ocorrerá naturalmente, mesmo com a lenta aderência do mercado. Para auxiliar neste processo de aderência, a educação do empreendedor e do agricultor através de grandes eventos e materiais instrutivos, sejam em artigos e/ou vídeos, é indispensável.

Assim com as demais empresas de tecnologia do ecossistema, as agrotechs merecem especial atenção para seu correto funcionamento. Não apenas sua constituição frente a possíveis investimentos, mas também as resoluções e regulamentações a que devem obedecer, e fiscalizações de órgãos governamentais.

*Lopes é o CEO do Silva | Lopes Advogados e Rosso é integrante da equipe do escritório.

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