Arthur Rufino: o desafio de se reinventar e colocar as pessoas no centro dos negócios

Um dos movimentos que mais tem ganhado força e aberto novas portas para a economia brasileira é o da valorização do país. Em um movimento contrário a correnteza de reclamações sobre o cenário político e econômico atuais, alguns empreendedores resolveram levantar uma bandeira capaz de balançar para o outro lado. Como eles fazem isso? Ressaltando os aspectos positivos do país.

Os grandes expoentes desse movimento que coloca a positividade como centro dos negócios e da vida das pessoas são Arthur e Geraldo Rufino, pai e filho, respectivos CEO e fundador da JR Diesel, a maior empresa de desmontagem automotiva da América Latina.

Nesse mês de agosto, após o sucesso da Gramado Summit 2019, nós batemos um papo especial com o Arthur. Nele, falamos sobre o mercado brasileiro, a importância de colocar as pessoas no centro dos negócios e o olhar positivo para o cenário empreendedor brasileiro.

"A JR Diesel nasceu com um propósito capitalista. Ela cresceu com um propósito capitalista. Ela quebrou com um propósito capitalista. Ela se recuperou com um propósito capitalista. Aos 30 anos de trajetória, conheceu seu propósito socioambiental ao descobrir que criamos a lei que reduziu em 26% o roubo de carros e em 17% os latrocínios de SP, além do gigante impacto ambiental positivo que causamos em nosso processo. Hoje nosso propósito é tornar o roubo de carros algo inútil no Brasil e estamos avançando nisso com força e, até então, nosso propósito capitalista nunca tinha nos dado um horizonte tão amplo de ganhos financeiros. Meu recado é que desmanchem seus negócios e remontem novamente, com a mente livre de preconceitos. Vão descobrir muita coisa boa", comenta Arthur.

Esse é um pequeno relato de como a empresa cresceu e se reestruturou a partir da mudança de olhar sobre o próprio negócio e o próprio mercado.

Confira nosso papo com ele na íntegra:

Antes de ser uma potência na América Latina, a JR Diesel foi uma empresa pequena, com dificuldades a serem superadas. O que proporcionou a guinada no crescimento da empresa e como o Arthur fez parte desse processo?

Arthur: Foi o foco na organização e simplificação de processos, estrutura, etc. Por incrível que pareça, somos hoje uma empresa muito mais ágil e simplificada do que éramos quando menores. Minha participação veio como um contraponto, cobrindo áreas que fugiam ao perfil do meu pai e do meu irmão, criando uma gestão muito complementar e eficiente. Coloquei inovação num dos mercados mais analógicos e mal vistos do Brasil.

Tu és um empreendedor atento. O que fica claro no teu discurso é a preocupação em olhar para outros mercados para aplicar técnicas na JR Diesel. Como o Arthur aprende? Quais são as grandes influências de vocês?

Arthur: O Arthur aprende por observação e replicação de métodos em situações improváveis. Na construção do que é a JR Diesel hoje, temos referências da moda para criação do nosso sistema de classificação de peças por qualidade ou da indústria farmacêutica para rastrear a origem de nossas peças. Observo todos os mercados, de resseguros à genética, da hotelaria de luxo ao varejo de favelas, e boa parte dessa observação foi intensificada quando abri minha agenda para mentorias e conselhos de empresas de todo o tipo de setor. Não tenho muito o perfil de sentar para ler ou estudar, apesar de querer fazer.

A JR Diesel, por conta da parceria familiar à frente da empresa, manteve muito forte a cultura de trabalho. Como deixar ela viva em meio ao crescimento da empresa?

Arthur: Foi preciso criar um mindset de que a JR Diesel só chegou onde chegou por conta de suas raízes, sua cultura, então nós abrimos as portas à inovação e a processos estruturados, mas com esforço extra para que nada daquilo que entendíamos ser a "alma do negócio" fosse perdido, desde o carinho com os funcionários até a excelência na recepção de atendimento do cliente.

A tecnologia dominou a maioria dos mercados. Como colocar as pessoas no centro dos processos em uma era cada vez mais automatizada e digital?

Arthur: A tecnologia é meio, não fim. Nosso esforço de tecnologia vem no sentido de dar poder ao indivíduo de ampliar sua capacidade e habilidades, não de excluí-lo. Isso não é fácil, mas trata-se mais de uma questão de mindset do gestor do que de decisões técnicas. No fim do dia, gente gosta de falar com gente.

Junto com teu pai, tu és um dos grandes defensores sobre o privilégio que é poder empreender em um país como o Brasil. O que falta para que mais brasileiros tenham essa mesma visão e arrisquem suas ideias?

Arthur: Acredito que estamos em um bom momento, do brasileiro começando a virar um povo patriota e parando de achar que só os gringos têm valor. O que falta é limpar de vez a síndrome de vira-lata onde tudo o que é feito por nós é pior. Eu mesmo me deparei com isso num processo de quase venda da JR Diesel em 2012 quando o comprador americano exigia que eu passasse dois anos nos EUA aprimorando suas plantas 570 de desmontagem para que tivessem a mesma produtividade da nossa no Brasil, enquanto eu viajava para nove países para buscar aumento de eficiência. Nós já éramos melhores e nem havíamos nos dado conta. O brasileiro é foda, só não se deu conta. Ainda.

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